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Mostrando postagens de Dezembro, 2007

Boneca de Papel

Theresa sorriu toda contente quando tomou nas mãos sua mais nova aquisição: uma boneca toda feita de papel.
Não era uma boneca comum, pois carregava em si todo um ano de esforço e dedicação que a sobrecarregara de obrigações e compromissos para que pudesse conquistar aquele cobiçado objeto. Por isso ela o apertava junto ao peito e afagava com muito carinho.
O ano não havia sido fácil. As muitas atividades que tinha de exercer para poder ajudar em casa tomava-lhe muito tempo. Por isso também não podia ir à escola tendo que se contentar em aprender as primeiras letras com o padre durante as aulas de catequese. E isso não era muito fácil porque dobravam suas obrigações. Theresa tinha que decorar as palavras do padre e depois aprender as letras que formavam as palavras.
Decorar não era problema. Tinha boa cabeça, como sua mãe às vezes lhe dizia. O problema era o raio das letras! Que confusão elas criavam em sua cabeça! Como fazer para aprender as palavras da Ave Maria escritas em latim? Rep…

Socióloga divulgará Declaração dos Direitos dos Povos Indígenas em aldeias

A socióloga Kring Kaingang vai divulgar nas aldeias brasileiras a Declaração dos Direitos dos Povos Indígenas, elaborada pela Organização das Nações Unidas (ONU). Kring é representante do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e integra a Coordenação Geral de Defesa dos Direitos Indígenas da Fundação Nacional do Índio (Funai).

Ela foi a única indígena brasileira que participou das discussões sobre a declaração, documento que levou 20 anos para ser concluído.

Em entrevista ao programa Amazônia Brasileira, da Rádio Nacional da Amazônia, Kring Kaingang apontou a questão territorial como o tema mais polêmico entre os indígenas e o governo brasileiro. Segundo a socióloga, desde os governos militares, as autoridades federais consideram apenas os direitos individuais dos indígenas, como educação e saúde, mas negam o direito coletivo ao território, argumentando que o território pertence à nação, e não às comunidades.

"Pela primeira vez, temos um instrumento internacional de direitos human…

Índios Enawanê-Nawê libertam 350 trabalhadores mantidos reféns no Mato Grosso

Os cerca de 350 funcionários que trabalhavam nas obras de três pequenas centrais hidrelétricas em construção no Rio Juruena, em Sapezal (MT), foram liberados no final da tarde de terça-feira (11). Eles estavam detidos pelos índios da etnia Enawanê-Nawê desde sexta-feira (07).

Segundo o superintendente de Assuntos Indígenas do Estado do Mato Grosso, Rômulo Vandoni Filho, que participou das negociações, será formado um grupo de trabalho constituído pelo governo do Mato Grosso, Ministério Público Federal, Fundação Nacional do Índio (Funai) e Universidade Federal do Mato Grosso para realizarem outros estudos de impacto ambiental na região.

Logo que a equipe de trabalho for formada, disse Vandoni, haverá uma reunião com os índios no município de Juína, para acabar com todas as dúvidas possíveis. O encontro, segundo ele, deve ocorrer ainda este ano.

Para o superintendente, a principal dificuldade nas negociações é o fato de os índios exigirem a paralisação da obra. “É legítimo o interesse de a…

Presidente da Funai critica desmatamento e atribui preservação da Amazônia aos índios

O presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Márcio Meira, disse nesta terça-feira (11), que os povos indígenas de Rondônia são responsáveis pela preservação da floresta Amazônica no estado.

“Esses povos têm preservado as florestas que ainda restam em Rondônia. Viajamos de helicóptero e observamos que só tem floresta em pé nas terras indígenas”, disse em entrevista à imprensa no município de Cacoal (RO), após a libertação dos cinco reféns detidos pelos índios cinta larga desde sábado (8), na Terra Indígena Roosevelt, no sul do estado.

Em relação à regulamentação da mineração nas terras indígenas, Meira disse que espera do Congresso Nacional uma decisão que leve em conta a discussão da Funai com os indígenas, que exigem também a participação nos lucros e a preservação do meio ambiente . “Esperamos que a decisão beneficie e respeite os direitos constitucionais dos povos indígenas.”

A Constituição proíbe a mineração em terra indígena, mas de acordo com a Polícia Federal (PF), a extra…

Sala de Leitura Daniel Munduruku

Queridos amigos e amigas, hoje, dia 07 de dezembro, recebi uma honrosa homenagem de uma escola do Municipio do Rio de Janeiro.
A Escola Escritora Clarice Lispector resolveu chamar Daniel Munduruku à sua sala de Leitura. Estive no local e participei da inauguração. Não preciso dizer como foi enorme minha emoção. Deixo a imagem que fala por mil palavras.

Benki Pianko e os saberes da floresta

Líder dos ashaninka, que nos últimos 15 anos se tornaram conhecidos no Brasil e no exterior por seu modelo exemplar de desenvolvimento sustentável, Benki Piyãko decidiu fazer da educação a principal arma na defesa do meio ambiente e dos saberes da floresta. A decisão de Benki e das demais lideranças do povo ashaninka, que vive em um amplo território localizado na fronteira entre o Brasil e o Peru, culminou com a inauguração, em julho passado, do Centro de Formação Aiyoreka Ãntame, que pretende unir os saberes indígenas ancestrais e o conhecimento científico da civilização ocidental no esforço para salvar o homem e o planeta.



A Escola Aiyoreka Ãntame, cujo nome significa, justamente, Saberes da Floresta, está localizada no município de Marechal Thaumaturgo, na confluência dos rios Amônia e Juruá. Com as negociações visando a demarcação de seu território, a Terra Indígena Kampa do rio Amônia, os ashaninka residentes no Brasil abandonaram definitivamente seu tradicional nomadismo e se fix…